domingo, 20 de março de 2011

E sobre a felicidade?

Mas a gente se dá conta tarde de que a felicidade é fácil, não? Caio F.

A felicidade é uma condição a ser conquistada todos os dias, não um objetivo a ser alcançado no final da vida. A gente vive buscando pela felicidade, mas no final percebe que ela sempre esteve presente, a gente que não percebeu. Tem gente que trabalha, trabalha, trabalha, passa por cima de todos, esquece dos amigos e da família, deixa a ganância tomar conta de si, e no final percebe, que não é o dinheiro que traz a felicidade, e nem os amigos, e nem os amores.
Digo novamente, a felicidade está perdida em meio à flores e abraços, ela é simples, é completa. Está no dia a dia, com os amigos, com a família, está no bom dia, no abraço da melhor amiga, no beijo do namorado. Então viva intensamente CADA momento, agarre cada oportunidade, ame cada pessoa. Eu não acredito no acaso. O infinito está em cada momento.

quinta-feira, 10 de março de 2011

Mas até o mais bravo leão.

Recua um passo para que seu salto seja maior.
Orgulho é diferente de estupidez. Orgulho vem acompanhado de consciência, de dignidade, de humildade. Por trás do orgulho, há toda uma história de lutas, de conquistas, de tapas na cara. Uma pessoa que tem o privilegio de se orgulhar de algo, já passou por muita coisa. Uma pessoa de grandeza sabe abaixar a cabeça quando necessário, sabe aceitar outras opiniões quando errado. Isso se chama humildade.
E é isso o que falta nos corações de hoje em dia. Não orgulho, orgulho há demais, mas um orgulho feio, que fere, que aumenta, que destrói. O que falta é a humildade, humildade de saber que o dinheiro não muda ninguém, não faz ninguém melhor, e a falta dele com certeza, não faz ninguém pior. Humildade de saber se curvar, porque nem sempre o que queremos é necessariamente o que precisamos.

"Vamos ter a brandura
Do bambu que aceita se curvar
Prosseguir confiantes por saber
Que é normal enfraquecer"
Mulan.

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

As vezes o que vejo, quase ninguém vê.

E que venha 2011! Com toda fúria, toda magnitude, todo mistério, surpresas e tudo mais que tiver que vir, porque esse ano, mais do que nunca, sei que de cabeça erguida e com um sorriso no rosto vou enfrentar tudo.
Custei muito a entender que quem decide o meu futuro, sou eu, somente. Não meu horóscopo, não meus pais, não meus amigos. Eu.
2010 foi um ano de crescimento, de aprendizado, de muitos obstáculos, mas principalmente de muitos benefícios. Aprendi o valor de uma amizade verdadeira, aprendi a ser eu mesma, aprendi a amar a mim como sou. Aprendi tanto, errei muito mais. Cresci. Conheci pessoas que me despertaram para uma vida nova, passei por uma semana que mudou minha vida. Entendi que liberdade e libertinagem são duas coisas muito diferentes. Entendi o valor da minha família na minha vida, que não importa quão imperfeita ela seja, é a minha família.
Isso pra mim é a definição de um ano perfeito. Aprender, crescer, entender. Isso é fazer uma revolução humana, se aperfeiçoar a cada momento, se tornar melhor a cada minuto, e se cairmos, nos levantarmos, mais fortes, com a convicção de nada mais irá nos derrubar. Sei que ainda tenho muito pela frente, muito o que aprender, muito o que errar, muito o que entender.... Mas que venha 2011!

“As coisas vão dar certo. Vai ter amor, vai ter fé, vai ter paz – se não tiver, a gente inventa.”

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Hey, soul sister.


O que a cor da pele nos diz sobre alguém? O que sua nacionalidade diz sobre o seu caráter? O preconceito racial é algo enrustido na nossa cultura, mesmo ela sendo uma miscigenação de várias outras. Uma pessoa branca tem mais chances de arrumar um emprego do que uma pessoa negra pelos simples fato de ser branca? Superioridade racial é burrice, todos sangramos o mesmo sangue e respiramos o mesmo ar, todos vivemos no mesmo mundo e buscamos a mesma coisa. Felicidade.

Então quer dizer que só porque antigamente os negros eram escravos, hoje em dia quer dizer que eles não merecem respeito? E se fossem os japoneses que tivessem sido trazidos para o Brasil para trabalhar como escravos? Então as pessoas iriam me evitar na rua? E veriam minha família como uma classe inferior?

Mas deve-se existir o respeito mútuo. Do mesmo modo que uma pessoa negra pode andar com uma camisa que diz “100% negro” e se orgulhar, uma pessoa branca pode andar com uma camisa que diz “100% branco” e não ser tachada de racista. Por que chamar alguém de ‘preto’ é mil vezes mais ofensivo do que chamar alguém de ‘branquelo’?

Não estou dizendo que todos devem se amar, peço apenas que respeite o outro assim como você quer ser respeitado. Somos todos irmãos de alma.

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Hard to understand.

"Nas pernas escuras da moça havia muitas cicatrizes brancas pequeninas. E pensei: Será que as cicatrizes estão no seu corpo inteiro assim como as luas e estrelas em seu vestido? Achei que isso também seria bonito, e peço-lhe neste instante que faça o favor de concordar comigo que uma cicatriz nunca é feia. Isto é o que aqueles que produzem as cicatrizes querem que pensemos. Mas você e eu temos que fazer um acordo e desafiá-los. Temos de ver todas as cicatrizes como algo belo. Combinado? Este vai ser nosso segredo. Porque, acredite em mim, uma cicatriz não se forma num morto. Uma cicatriz significa: Eu sobrevivi."
Pequena Abelha.

Não importa se visíveis ou não, se feitas com pedras ou palavras, se partiram de alguém que amamos ou alguém que odiamos. Uma cicatriz, é uma lembrança de algo que estará sempre presente em nós, e que nos fez crescer, nos fez aprender e ficar mais fortes. Por isso, agradeço a todos que deixaram em mim uma cicatriz marcada, a dor é efêmera, passageira, a lição, é pra vida toda. Mas agora compreendo que, às vezes, uma pessoa que amamos, precisa nos machucar, para nos ensinar algo, ou apenas porque seja o melhor para nós mesmos, por que convenhamos, nunca sabemos o que é melhor para nós, por mais que tenhamos certeza do que queremos. Isso se chama benevolência. E sou grata por tudo o que passou, mas agora um novo ano está para começar, uma pagina em branco no livro da minha vida está pronto para ser escrito, e comigo levo um sorriso, meu coração em paz e as cicatrizes.

domingo, 28 de novembro de 2010

Faith.

Acreditar. Acreditar é algo muito lógico, acreditar pede uma explicação racional, pede bases científicas comprovadas. Eu acredito que amanhã vai chover, porque o céu está escuro. Acreditar é uma efêmeridade. Ter fé, por sua vez, não requer nada, ter fé é... ter fé. É acreditar sem restrições, sem pedir explicações, ter fé é ser humano. É querer acreditar quando tudo diz que não se deve, é não desistir quando tudo parece perdido. É muito, muito mais difícil ter fé em algo, do que acreditar.Por que isso não pede comprometimento, não pede esforço, não pede sentimento. Amar é ter fé. Mas eu digo um amor bonito, um amor sincero, um amor por inteiro. Não um amor água com açúcar, um 'tanto faz' no meio da sua agenda. Amar, assim como a fé, pede comprometimento, pede esforço, pede sentimento, pede a crença quando tudo parece perdido, amar é não precisar de uma explicação, amar é ser humano. E eu tenho fé, de que tudo no final se acerta, se for pra ser, será.

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Eu sei, mas não devia.

Eu sei que a gente se acostuma. Mas não devia.

A gente se acostuma a morar em apartamentos de fundos e a não ter outra vista que não as janelas ao redor. E, porque não tem vista, logo se acostuma a não olhar para fora. E, porque não olha para fora, logo se acostuma a não abrir de todo as cortinas. E, porque não abre as cortinas, logo se acostuma a acender mais cedo a luz. E, à medida que se acostuma, esquece o sol, esquece o ar, esquece a amplidão.

A gente se acostuma a acordar de manhã sobressaltado porque está na hora. A tomar o café correndo porque está atrasado. A ler o jornal no ônibus porque não pode perder o tempo da viagem. A comer sanduíche porque não dá para almoçar. A sair do trabalho porque já é noite. A cochilar no ônibus porque está cansado. A deitar cedo e dormir pesado sem ter vivido o dia.

A gente se acostuma a abrir o jornal e a ler sobre a guerra. E, aceitando a guerra, aceita os mortos e que haja números para os mortos. E, aceitando os números, aceita não acreditar nas negociações de paz. E, não acreditando nas negociações de paz, aceita ler todo dia da guerra, dos números, da longa duração.

A gente se acostuma a esperar o dia inteiro e ouvir no telefone: hoje não posso ir. A sorrir para as pessoas sem receber um sorriso de volta. A ser ignorado quando precisava tanto ser visto.

A gente se acostuma a pagar por tudo o que deseja e o de que necessita. E a lutar para ganhar o dinheiro com que pagar. E a ganhar menos do que precisa. E a fazer fila para pagar. E a pagar mais do que as coisas valem. E a saber que cada vez pagar mais. E a procurar mais trabalho, para ganhar mais dinheiro, para ter com que pagar nas filas em que se cobra.

A gente se acostuma a andar na rua e ver cartazes. A abrir as revistas e ver anúncios. A ligar a televisão e assistir a comerciais. A ir ao cinema e engolir publicidade. A ser instigado, conduzido, desnorteado, lançado na infindável catarata dos produtos.

A gente se acostuma à poluição. Às salas fechadas de ar condicionado e cheiro de cigarro. À luz artificial de ligeiro tremor. Ao choque que os olhos levam na luz natural. Às bactérias da água potável. À contaminação da água do mar. À lenta morte dos rios. Se acostuma a não ouvir passarinho, a não ter galo de madrugada, a temer a hidrofobia dos cães, a não colher fruta no pé, a não ter sequer uma planta.

A gente se acostuma a coisas demais, para não sofrer. Em doses pequenas, tentando não perceber, vai afastando uma dor aqui, um ressentimento ali, uma revolta acolá. Se o cinema está cheio, a gente senta na primeira fila e torce um pouco o pescoço. Se a praia está contaminada, a gente molha só os pés e sua no resto do corpo. Se o trabalho está duro, a gente se consola pensando no fim de semana. E se no fim de semana não há muito o que fazer a gente vai dormir cedo e ainda fica satisfeito porque tem sempre sono atrasado.

A gente se acostuma para não se ralar na aspereza, para preservar a pele. Se acostuma para evitar feridas, sangramentos, para esquivar-se de faca e baioneta, para poupar o peito. A gente se acostuma para poupar a vida. Que aos poucos se gasta, e que, gasta de tanto acostumar, se perde de si mesma.

Texto por Marina Colasanti.